Gosto de cantar e sei que sei cantar porque meu pai
é maestro e muito exigente e me disse isso. Também gosto de atuar, de escrever,
de fingir que eu sei inglês e ficar pensando em coisas para dizer em voz alta
aos outros, de ler, de deitar na grama, de olhar o céu azulzinho, de deitar na
rede, de assistir séries, principalmente as de suspense e policiais, de ficar
imaginando o futuro e pensar como serei daqui a 10 anos, de ir ao cinema,
teatro e shows de minhas bandas favoritas, que normalmente ninguém conhece. Gosto
de planejar a vida, de fotografar, de ler blogs, de ir à igreja, de ir a
lugares diferentes, de viajar, de café, de pedalar de vez em quando, de jogos
sem bola, gosto de rock, de coca-cola e doces, de ouvir música e de comer
pipoca de segunda-feira.
Não gosto de gente metida, de feijão, de pop, samba,
pagode, sertanejo, hip hop, rap e funk, de livros sobre religião,
espiritualidade e auto-ajuda, de foto de mau gosto, de gente invejosa, de
balada, de bêbados e gente que só acha legal se tiver bebida alcoólica, de
matemática e física e não suporto quem se acha superior a tudo.
Assim sou
eu, tenho mil e uma faces que ninguém conhece por completo. Mesmo se postássemos
tudo nas redes sociais, de fato ninguém nos conhece por completo, alias
principalmente se fizéssemos isso, parece que ninguém liga.
Estamos todos conectados, mas ao mesmo tempo tão
distantes. As vezes tenho a impressão de que se alguém escrever: “Estou
morrendo agora” em uma rede “social” ninguém vai fazer nada, nenhum comentário,
nenhum telefonema, nenhuma ajuda, até mesmo de quem se diz nossos amigos.
![]() |
Fonte: Google Imagens |
Percebo que quanto mais tempo passo me mostrando em
pequenos sinais e frases por ai, menos as pessoas me conhecem e menos amigos eu
tenho. Acho que talvez quando a vida era offline
éramos mais verdadeiros uns com os outros e consigo mesmos, parece que
antes pensávamos mais no que os outros gostavam e nos conhecíamos a fundo. Hoje
eu me pareço mais um ser invisível, mesmo sendo vista e lida o tempo todo.